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Manifesto: a responsabilidade social da igreja

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Sexta, 19 de Novembro de 2010  |  637 visualizações
Categoria: Outras  |  Enviado por: mannyfsa
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Recentemente li num artigo uma frase notável: “O povo de Deus reflete ao mundo o que Deus pensa e quer.” Isso me retornou um dos questionamentos que venho fazendo acerca do meu propósito, do nosso propósito de vida. O que Deus pensa e quer para o mundo? Ele disse em Jeremias 29. 11 “Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais”.

Muitos cristãos se calam diante da onda de destruição, miséria, violência, dor e pecado que vem assolando o mundo. Não por aceitação ou concordância mas por puro comodismo. Chegamos ao ponto de pensar nas profundezas da nossa consciência, que tudo isso é o preço que a humanidade deve pagar por seus pecados e que não está nas mãos da igreja querer mudar isso já que o próprio Deus o permite. Para muitos a responsabilidade da igreja limita-se a tirar do mundo o maior número de pessoas, lapidá-las e escondê-las dentro da igreja, longe dos olhos.

Já me disseram que “não se pode consertar o mundo”, uma vez inclusive até usaram um conto para me convencer disso, era a história de um pai muito ocupado que mandou o filho montar o mapa do mundo como forma de distraí-lo, ao aceitar o desafio a criança percebeu que a gravura no verso das peças formava a imagem de um homem então ele se dedicou a montar o homem, e assim em instantes para surpresa de seu pai ele conseguiu montar o mapa. Curioso o pai o questionou como ele conseguira aquela façanha e sua resposta ingênua foi – Foi simples pai. Quando eu montei a figura do homem, ficou mais fácil!”. Mais tarde eu refleti e de fato a história tinha uma mensagem, uma mensagem diferente. Entendi que se pode consertar o mundo sim, porém fica mais fácil fazê-lo quando focamos nas pessoas. Assim para que o mundo seja melhor, as pessoas precisam ser transformadas, começando por nós mesmos, cristãos. Precisamos reformar nossos pensamentos, e olhar para as escrituras como se fosse a primeira vez. Precisamos aprender o que Deus pensa e pensar como Ele, e Ele tem bons pensamentos para a humanidade. Como instrumentos e embaixadores de Deus na terra precisamos nos conscientizar do nosso papel como agentes transformadores, através da glória de Deus.

Este papel está bem claro em Romanos 12.13 “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”
Como transformaremos o mundo permanecendo calados? Como faremos isso de braços cruzados, trancados dentro de templos “físicos” e vivendo dentro de bolhas espirituais? (sim, porque mesmo fora das igrejas nos mantemos fechados para o mundo).

Se observarmos e aprendermos sobre o ministério dos profetas, veremos que eles não apenas denunciavam pecados de idolatria, vaidade e rebeldia do povo de Deus. Eles se manisfestavam também contra as injustiças e as mazelas sociais de sua época, eles manifestavam o pensamento de Deus acerca destas coisas. Deus sempre atribuiu ao seu povo uma responsabilidade para com a sociedade; Jesus confirmou e reforçou isso dizendo para amar ao nosso próximo como a nós mesmos. Mas o que tem acontecido com a igreja atual? Ela está “ecleatizando”1 seus membros, formando cumpridores de doutrinas e frequentadores de reunião. O ato de tornar-se“crente” tem sido associado a conquista de bens materiais, ascensão financeira, prosperidade. Não sou contra que se ensine dentro da palavra sobre prosperidade e cura. Mas onde está aquela palavra que nos ensina sobre renúncia? Que nos ensina sobre dar, servir, amar ao próximo?

“Imaginemos uma pequena congregação que nasceu no meio de uma grande favela. Com o passar do tempo esta congregação constitui-se em uma Igreja e suas instalações outrora humildes transformam-se em um templo bonito e amplo e em alguns casos até mesmo suntuoso, ostentando mármores e carpetes. Olhando-se ao redor desta Igreja percebe-se que a mesma favela lá permanece, o mesmo povo humilde e pobre, a mesma miséria e criminalidade, o mesmo desemprego e injustiça social... ”Todavia a Igreja é linda e próspera”. (SOUZA, Daniel Ferreira de. São Paulo, 2010)

Vivemos mais preocupados em ter do que ser; em receber do que dar. Criamos novas metas a cada benção alcançada e continuamos alheios ao que acontece fora dos muros. É fácil servir a Cristo quando estamos seguros e confortáveis. As vezes até apontamos os pecados das pessoas, mas não nos importamos com a vida delas, com seus problemas e como podemos verdadeiramente ajudá-las.

Pregar apenas o espiritual sem se preocupar com as questões socias, dizendo que o simples ato de “aceitar Jesus” resolverá todos os problemas não é o bastante, igualmente insuficiente é pregar apenas o social e omitir a palavra de Deus e a necessidade de conversão. O evangelho modifica a natureza humana, portanto falar a alma sem esquecer o corpo, cuidar dos problemas sociais sem perder de vista a realidade espiritual é a chave.

O dever da igreja é tirar o homem do mundo e devolvê-lo transformado e capacitado a gerar frutos.
(“De graça recebestes, de graça dai” Mateus 10.8).

Hoje vivemos um estado de alienação social. Aprendemos que a missão do cristão é ganhar almas para Jesus; então fechamos os olhos para as questões sociais e só nos preocupamos em converter o pensamento e a conduta dos outros dentro daquilo que nos foi ensinado. A igreja está convertendo pessoas para si, ficamos satisfeitos porque o irmão tem vindo a todos os cultos sem falta, e nem procuramos saber se ele tem o que comer amanhã. Dizemos para uma prostituta que ela está em pecado e precisa se converter, mas não nos colocamos em seu lugar para entender os motivos que a levaram até ali. Como resultado nos tornamos cristãos esnobes, demasiadamente preocupados com nossos próprios interesses e indiferentes as necessidades e injustiças do mundo.

“Indiferença” é um sentimento horrível. Porque se não amamos ao irmão, ao qual vimos, como podemos amar a Deus, a quem não vemos? “ I João 4:20b
Devemos amar as pessoas pelo simples ato de amar, de graça assim como o Pai nos amou, não para apenas para convertê-las. Jesus curou milhares de pessoas e alimentou outras milhares, mesmo sabendo que muitos daqueles mais adiante o negariam. Deus abomina as injustiças e nós como sua imagem e semelhança, como novas criaturas renascidas em Cristo e portanto portadores de seu caráter não devemos nos conformar com elas.

Isaías 58 6-7: Porventura não é este o jejum que escolhi? Que desfaças as ligaduras da impiedade, que deixeis livres os quebrantados, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desterrados? E, vendo o nu, o cubras e não te escondas da tua carne?
Ver também: Amós 5. 11-12 e 21-22

Não é discurso e ideologia que causa impacto. Pode até atrair um bocado de fiéis para dentro da igreja, mas não transforma comunidades, bairros, cidades, estados, etc. O que impacta a sociedade é a Fé que age, a prática e o testemunho. E testemunho não é só mudar o exterior, colocar um bíblia em baixo do braço e dizer que somos crentes. Eu só posso testemunhar o amor incondicional e perfeito de Cristo praticando-o. A igreja que agrada a Deus não é aquela que está abarrotada de convertidos que frequentam todos os cultos, acumulam bençãos, são fiéis nos dízimos e dão boas ofertas, enfim que preocupam-se em cumprir os dogmas e até participam dos ministérios da igreja. A igreja que está no centro da sua vontade de Deus é aquela que transcende os muros e irradia sua luz ao mundo, iluminando onde há trevas. Não se trata apenas de catar pessoas para encher os templos e ensiná-las os passos para serem corretos e bem-sucedidos. O evangelho genuíno praticado por Cristo muda as pessoas, e pessoas verdadeiramente transformadas mudam outras pessoas, que consequentemente mudam o meio, testemunhando que a Glória do Deus todo poderoso chegou àquele lugar.

Porque guardamos a glória de Deus para nós se podemos levá-la para as pessoas que nos cercam? Porque nos preocupamos mais com o que Deus fará por nós, do que com o que podemos fazer pelos outros? Há tantas outras religiões praticando e incentivando ações socais, então porque nós que nos dizemos Cristãos não o fazemos? Devemos nos diferenciar pelo que fazemos ou pelo que deixamos de fazer?

Enquanto discutimos se isso é válido ou não, se é de Deus ou não, se está na palavra ou não, quantas pessoas tem fome? Quantas sem emprego? Quantas morrendo de doenças, sendo vítimas de acidentes no trânsito, sendo assassinadas? Quantos estão roubando? Quantos estão nas drogas? Quantas crianças estão sendo apresentadas ao mundo do crime? Quantos pais de família estão se alcoolizando ou abandonando a família? Quantos dormem na rua? Quantas esposas apanham de seus maridos? Quantas crianças são abusadas? Quantas crianças trocando educação por trabalho? Quantas pessoas depressivas se suicidando?...

Houve uma estatística que inclusive analisou o seguinte fato: se somente os cristãos de todo o planeta realmente praticassem o amor ao próximo, não haveria fome em parte alguma do mundo.

Sim, não precisariam governos, Ongs, ou seja, pois nós que nos dizemos cristãos (na estatística foram englobadas todas as religiões cristãs e não apenas os protestantes), seriamos em numero suficiente para resolver as mazelas sociais do mundo inteiro. (SOUZA, Daniel Ferreira de. 2010)

Assisti um testemunho de um missionário que a anos trabalha na Índia com os Dalits, e ele comentava como as pessoas ficavam comovidas ao ver que alguém se importava com elas, e as ajudava sem pedir nada em troca. Elas ficavam maravilhadas com o Deus, que levava pessoas estranhas a amar as outras tão voluntariamente e tinha vontade de se achegar a Ele. Então eu imagino com lágrimas nos olhos, o que a Igreja seria capaz de fazer por este mundo se buscasse dar aos outros uma parte daquilo que recebeu: Compaixão. Como o mundo seria impactado se a Igreja saísse de seus belos templos e mostrasse o amor incondicional de Deus na prática. É isso que conquista quem está fora e o faz desejar estar dentro.

A intenção não é viciar as pessoas a receber esmolas, mas buscar tornar a vida alguém melhor, uma vez que ele mesmo não é capaz de fazê-lo. A missão é combater a fome, a miséria, a marginalidade, a corrupção e a injustiça com a palavra de Deus e ações; Acolher o necessitado, tratá-lo na raiz de sua dor, ensiná-lo o caminho para a nova vida e acompanhá-lo nessa transição até que ele esteja pronto para andar com as próprias pernas. Futuramente, com uma vida transformada e com os exemplos que vivenciou ele trabalhará em prol de outras vidas.

Enfim compreendi e espero que todo servo de Deus compreenda também, que igreja precisa aceitar seu chamado e sua missão na terra. Transformar não é privilégio de poucos, não é responsabilidade exclusiva de quem carrega títulos ou de pequenos grupos separados, é um dever de todo cristão, é um dever de toda a igreja. Ela deve se posicionar, discutir mudanças e de fato mudar, através de projetos, de programas e de serviços à comunidade, sem esperar nada em troca, nem mesmo reconhecimento pois a glória é única e exclusivamente de Deus.

É certo e inegável que não existe e jamais existirá sociedade perfeita, não quer dizer que devemos cruzar os braços e lavar nossas mãos. O fato de Deus permitir que os homens vivam no erro não significa que ele seja conivente. Quem compactua com o erro não está inocente, uma vez que Deus deixou sua palavra disponível para todos, sem acepção, para que conheçam a verdade.

Mateus 5: 13 -16 Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam.

- Vocês são a luz para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.

- Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa.

- Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu.

Provérbios 31. 8 – 9 Abre a tua boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham em desolação. Abre a tua boca; julga retamente; e faze justiça aos pobres e aos necessitados.

Referências:
http://insejecmissoes.wordpress.com/missoes-urbanas/
http://www.montesiao.pro.br/estudos/acaosocial/responsabilidade_social.html
Bíblia Sagrada – Edição Revista e Corrigica. Sociedade Bíbliva do Brasil: São Paulo, 1969. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida
http://www.bibliaonline.com.br/
DE SOUZA, Daniel Ferreira. Manuel de Ação Social para Igrejas. AGEAS – Agencia Evangélica de Ação Social: São Paulo, 2010.Pp 56.

Mannuella Araujo
Feira de Santana, 29/10/2010
1Significa manter dentro da eclésia (templo físico). Termo tirado do texto do Pr. Enoque Júnior: http://www.montesiao.pro.br/estudos/acaosocial/responsabilidade_social.html






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Comentários para "Manifesto: a responsabilidade social da igreja"


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elisangela soares (visitante)
Simplesmente fantástico seus comentário, sempre analiso essas coisas pq a igreja evangelica tem muito poucos trabalhos sociais, pq eles só se preocupam com tempos bonito,grandes com muito luxos, pastores bem vestidos,missionários agora aderiram a gravarem cd“s, a receberem para pregarem a palavra do senhor, visto que se somos imitadores de cristo deveriamos fazer de graça, pois jesus pregava nas sinagogas e nos templos sem cobrar por isso.Vejo que a missão que muitos tem, não está sendo feito como realmente jesus quer, almas não precisa só de palavras bonitas vindas da parte de Deus, mais precisa de oportunidades, do que comer, do que vesti,de saúde e principalmente de dignidade e educação na sua maior força da palavra, assim estaremos fazendo algo que pode passar mais perto de agradar a Deus e de servi-lo, mais servi-lo com honra e descência.
Domingo, 21 de Novembro de 2010 00:06 


mannyfsa

Nível 3
Olá Elisangela! Obrigada por ler e comentar.Me alegra muito que você tenha compreendido a mensagem deste artigo e esteja de acordo. Grande Abraço e que o Senhor te abençoe!.
--
Mannuella Araújo
Domingo, 21 de Novembro de 2010 13:53 


pastorajanizjoy

Nível 5
“tive fome e me deste de comer“..........até quando vamos ter Igrejas ricas cheias de famintos??? 8-)
--
pra. Janiz Joy
Domingo, 28 de Novembro de 2010 09:40 


renato b.da (visitante)
irmã mannyfsa,parabéns pela perfeita visão do querer de Deus o nosso mundo;mas a biblia diz:e por de multiplicar a iniquidade o amor de muitos esfraria e grande é a seara poucos são os ceiferos,esta palavra tem se cumprido paulatinamente nos restando uma única postura diante de um povo corrompido pelas luxurias deste século;nos tornarmos remanecentes sertos que Deus há de nos fortalecer.vai nesta tua força minha querida diz o senhor!.
Sábado, 23 de Abril de 2011 22:44 


daniel ferreira (visitante)
Parabéns pelo artigo, fico feliz que nosso livro fomente tais discussões. irmão Daniel Agencia Evangélica de Ação Social - www.ageas.com.br
Domingo, 31 de Julho de 2011 00:44 


este usuário não existe mais
A missão da Igreja é anunciar o Evangelho. Isso não isenta os cristãos de responsabilidade social nem de responsabilidade ambiental. A Bíblia diz que Deus destruirá os que destroem a Terra (Ap 11.18). Uma das bandeiras da Igreja em seus primórdios era o cuidado com os pobres (Gl 2.10). Parabéns pelo seu artigo, querida!
--
BARUCK
Sábado, 01 de Outubro de 2011 18:54 


Os comentários postados não são necessariamente opiniões do Gospel 10 ou de seus colaboradores



 Enviado por:

mannyfsa
Manuella Araújo
Nível 3
Cadastrado desde:
Sexta, 19 de Novembro de 2010
Localização:
Feira de Santana, Bahia - Brasil






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