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César e Deus

Terça, 30 de Agosto de 2016  |  698 visualizações
Categoria: Doutrinárias  |  Autor: Pr. André Santos de Almeida
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"Então começaram a procurar um meio de prendê-lo, pois perceberam que era contra eles que ele havia contado aquela parábola. Mas tinham medo da multidão; por isso o deixaram e foram embora.
Mais tarde enviaram a Jesus alguns dos fariseus e herodianos para o apanharem em alguma coisa que ele dissesse.
Estes se aproximaram dele e disseram: "Mestre, sabemos que és íntegro e que não te deixas influenciar por ninguém, porque não te prendes à aparência dos homens, mas ensinas o caminho de Deus conforme a verdade. É certo pagar imposto a César ou não?
Devemos pagar ou não? " Mas Jesus, percebendo a hipocrisia deles, perguntou: "Por que vocês estão me pondo à prova? Tragam-me um denário para que eu o veja".
Eles lhe trouxeram a moeda, e ele lhes perguntou: "De quem é esta imagem e esta inscrição? " "De César", responderam eles.
Marcos 12:12-16"

Por trás desta ardilosa pergunta havia uma história amarga. Herodes o Grande faleceu no ano 4 A.C.; tinha governado toda a Palestina como um rei tributário dos romanos. Tinha sido fiel aos romanos e estes o tinham respeitado e lhe tinham dado muita liberdade. Antes de morrer dividiu seu reino em três. A Herodes Antipas deu Galiléia e Peréia. A Herodes Filipe deu a região desértica do Nordeste, ao redor de Traconites e Ituréia e Abilene. A Arquelau deu o território do Sul, que incluía Judéia e Samaria. Antipas e Filipe logo se estabeleceram e em rigor governaram bem e sabiamente. Mas Arquelau foi um fracasso total como rei. O resultado foi que no ano 6 D.C. os romanos tiveram que intervir e encarregar-se diretamente do governo. As coisas eram tão pouco satisfatórias que o Sul da Palestina não pôde continuar sendo um reino tributário semi independente e se converteu em uma província. Era governada por um procurador. As províncias romanas se dividiam em dois grupos. As que eram pacíficas e não necessitavam tropas eram governadas pelo Senado por meio de procônsules. As que eram centros de agitação e que requeriam a presença de tropas, eram da incumbência direta do imperador e eram governadas por procuradores. O Sul da Palestina pertencia naturalmente à segunda categoria e de fato se pagava tributo diretamente ao imperador.

O primeiro ato do governador Cirênio foi levantar um censo do país, a fim de poder estabelecer impostos justos e uma administração geral. A seção mais tranqüila do povo o aceitou como uma necessidade inevitável. Mas um tal Judas Gaulonita levantou uma violenta oposição. Trovejou que "a introdução dos impostos não era melhor que a introdução da escravidão". Incitou à população a rebelar-se, dizendo que Deus os ajudaria se recorriam a toda a violência que pudessem. Seu argumento era que para os judeus Deus era o único Rei e Senhor. Deveriam morrer alegremente antes que chamar senhor a homem algum. Os romanos se encarregaram de Judas com sua habitual eficiência, mas seu grito de batalha nunca morreu. "Não pagar tributo aos romanos" converteu-se no santo e senha dos patriotas judeus mais fanáticos.
Os tributos que se impuseram eram três.

(1) Um imposto à terra, que consistia em um décimo de todo o grão e um quinto do azeite e o vinho que se produzira. Isto se pagava em parte em espécie e em parte em dinheiro.
(2) Um imposto à renda que subia ao um por cento dos ganhos de uma pessoa.

(3) Uma captação, que se cobrava a todos os varões de quatorze a sessenta e cinco anos e a todas as mulheres de doze a sessenta e cinco. Esse imposto consistia em um denário por cabeça. Este era o imposto que afetava a todos e que todos tinham que pagar pelo simples feito de existir.

Os fariseus e os herodianos se aproximaram de Jesus muito sutilmente. Começaram adulando-o. Com isto se propunham duas coisas: desarmar as suspeitas que Jesus pudesse ter, e sublinhando seu valor e sua honestidade, fazer impossível que deixasse de dar uma resposta sem perder completamente sua reputação.

Em vista de todas as circunstâncias a pergunta que os fariseus e os herodianos expuseram a Jesus foi uma obra mestra de astúcia e sutileza. Devem ter pensado que o tinham parecido nos chifres de um dilema completamente iniludível. Se dissesse que era lícito pagar o tributo, perderia definitivamente sua influência no povo, e seria considerado como um covarde e um traidor. Se dissesse que não era lícito, podiam denunciá-lo aos romanos e fazê-lo prender como revolucionário. Estavam seguros de que tinham apanhado Jesus em uma armadilha da qual não havia escapatória possível.

Jesus disse: "Mostrem-me um denário." Notemos, de passagem, que Ele não possuía nem sequer uma moeda desse valor. Perguntou de quem era a imagem que tinha a moeda. Seria a de Tibério, o imperador reinante. Todos os imperadores eram chamados César. Uma inscrição ao redor da moeda diria que era a moeda "de Tibério César, o divino Augusto, filho de Augusto", e no reverso o título "pontifex maximus", o sumo sacerdote da nação romana. Agora, a fim de entender este incidente devamos ter presente o conceito antigo da moeda. Com respeito à cunhagem os povos antigos tinham três princípios conseqüentes.
(1) A cunhagem é signo de poder. Quando alguém conquistava uma nação, ou se algum rebelde tinha êxito, o primeiro que fazia era cunhar sua própria moeda. Isso, e somente isso era a garantia final de domínio e poderio.

(2) Onde a moeda era válida se aceitava o poder do rei. O domínio de um rei se media pela área na qual suas moedas eram válidas.

(3) Devido a que uma moeda tinha a cara e a inscrição de rei se sustentava, ao menos em certo sentido, que era propriedade pessoal do rei. A resposta de Jesus foi esta: "Ao usar a moeda de Tibério reconhecem em todo caso seu poder político na Palestina. Além disto a moeda de todos os modos é sua, pois tem nela seu nome. Dando-lhe dão-lhe o que é dele. Dêem-na, mas recordem que há uma esfera da vida que pertence a Deus e não a César."

Nunca ninguém estabeleceu um princípio mais influente que este. Era um princípio que conservava ao mesmo tempo o poder civil e o religioso. Rawlinson nos recorda que Lorde Acton, o grande historiador, disse deste dito de Jesus: "Essas palavras... deram ao poder civil, sob o amparo da consciência, uma importância que nunca tinha gozado e limite que nunca tinha conhecido, e foram o repúdio do absolutismo e a inauguração da liberdade." Estas palavras afirmaram ao mesmo tempo os direitos do estado e a liberdade de consciência.

O Novo Testamento em geral estabelece três grandes princípios que têm que ver com o cristão e o Estado.

(1) O Estado é ordenado por Deus. Sem as leis do Estado a vida seria um caos. Os homens não podem viver juntos a não ser que estejam de acordo em obedecer as leis da convivência. Há muitos valiosos serviços de que ninguém poderia desfrutar a não ser pelo Estado. Ninguém pode ter individualmente sua água corrente, seus próprios deságües, seu próprio sistema de transporte, sua própria organização de segurança social. O Estado é a origem de muitas das coisas que fazem possível a vida.

(2) Ninguém pode aceitar todos os benefícios que o Estado lhe dá e fugir de todas as responsabilidades. Não se discute que o governo romano introduziu no mundo antigo um sentido de segurança que nunca antes tinha tido. Em sua maior parte, exceto em certas áreas notórias, os mares foram limpos de piratas e os caminhos de bandidos, as guerras civis foram trocadas pela paz, e a tirania imprevisível e caprichosa pela justiça imparcial de Roma.

Como escreveu E. J. Goodspeed:
"A glória do império romano foi que trouxe a paz a um mundo convulsionado. Sob seu domínio as regiões da Ásia Menor e do Oriente desfrutaram de tranqüilidade e segurança em uma extensão e por um lapso que não tinham conhecido antes e provavelmente tampouco depois. Esta era a pax romana. Sob o domínio romano o morador das províncias se encontrava em condições de dirigir seus negócios, prover para sua família, enviar suas cartas e fazer suas viagens com segurança, graças à forte mão de Roma."

Segue sendo certo que ninguém pode honestamente receber todos os benefícios que confere o viver em um Estado, e logo rechaçar todas as responsabilidades da cidadania.

(3) Mas há um limite. E. A. Abbott tem um pensamento sugestivo. A moeda tinha a imagem de César gravada, e por conseguinte pertencia a César. O homem leva sobre ele a imagem de Deus – Deus o criou à sua imagem (Gên. 1:26-27) – e portanto pertence a Deus. A conclusão inevitável é que, se o Estado permanece dentro de seus próprios limites e faz as demandas que lhe são próprias, o indivíduo deve lhe dar sua lealdade e seu serviço, mas em última análise tanto o Estado como o homem pertencem a Deus e, portanto, em um conflito entre as pretensões do Estado e Deus, a lealdade a Deus é a primeiro. Mas segue sendo certo que em toda circunstância ordinária, o cristianismo deve fazer do homem um cidadão melhor que qualquer outro homem.


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Pr. André Santos de Almeida
Que Jesus seja o centro de todas as coisas



Pr. André Santos de Almeida

Igreja: Segunda Igreja Batista de São Vicente, Araruama/RJ
Formação: - Bacharel em Teologia - Licenciado em Filosofia - Pós Graduado em Teologia - Tecnólogo em Gestão Pública
Descrição: Pastor na Segunda Igreja Batista de São Vicente, Araruama/RJ

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 Autor:
Pr. André Santos de Almeida
Pastor na Segunda Igreja Batista de São Vicente, Araruama/RJ




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